Negócio do turismo

Por: Eduardo Sanovicz |

O setor aéreo brasileiro transportou, em 2012, 97 milhões de passageiros, um crescimento de 172% em uma década. Esses números são resultados do avanço econômico que o Brasil veio conquistando nos últimos anos, em que a renda da população aumentou e o preço das passagens aéreas se tornou acessível. Nos últimos seis anos, a tarifa aérea média doméstica registrou queda de 46%, caindo de R$ 509,00 em 2006 para R$ 273,00 em 2012 (dados da ANAC). Esses são alguns números que colocam o Brasil em 3º lugar entre os maiores mercados aéreos domésticos do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China. Para termos uma ideia dessa evolução, desde 2010 os brasileiros usam mais o modal aéreo do que o ônibus (considerando linhas interestaduais – com mais de 75 quilômetros de distância).

São vários os desafios que os atores do setor aéreo enfrentam para manter o país nessa posição. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), criada em 2012 pelas cinco principais companhias aéreas brasileiras – AVIANCA, AZUL/TRIP, GOL e TAM – tem se esforçado em contribuir para esse avanço, a fim de colocar em prática a missão da Associação, que é estimular o hábito de voar no Brasil. Ao tratar de questões institucionais do setor aéreo junto a Governos, entidades de classe, empresas e sociedade, a ABEAR quer planejar, implementar e apoiar ações e programas que promovam o crescimento da aviação civil de forma consistente e sustentável, tanto para o transporte de passageiros como para o de cargas.

Para que o sistema aéreo se torne mais competitivo, modernizado e ampliado, alguns avanços já foram conquistados nos últimos meses, como a desoneração da folha de pagamento das empresas de transporte aéreo (em vigor desde 1º de janeiro de 2013) e os investimentos do Governo para ampliar a infraestrutura aeroportuária – incluindo a concessão dos aeroportos do Galeão (Rio de Janeiro) e de Confins (Belo Horizonte), a ampliação e incentivos fiscais às rotas regionais, além da manutenção dos valores cobrados por tarifas aeroportuárias, que teriam reajuste esse ano.

Essas medidas mostram a mobilização do Governo em investir em infraestrutura aeroportuária e na interiorização desse investimento, o que vai gerar mais desenvolvimento para o setor aéreo e para o país. Vale destacar o importante papel que a aviação civil desempenha na geração de empregos e renda no Brasil. São mais de 1,2 milhão de pessoas empregadas – sendo 330 mil pelo efeito no turismo – que somam R$ 4 bilhões pagos em salários diretos.

Mas algumas providências ainda precisam entrar mais ativamente nessa agenda comum, e que são prioritárias para o setor atualmente, como a revisão dos custos do combustível de aviação (fórmulas de composição do preço e nos impostos sob o querosene). O combustível representa mais de 40% do preço do bilhete aéreo e, na média, custa 55% mais no Brasil do que em outros países. A solução para estas questões são fundamentais para que as empresas melhorem a sua competitividade, tenham condições de gestão mais adequadas e invistam mais em tecnologia.

O crescimento do setor aéreo contribui sobremaneira para o crescimento do turismo como um todo. Ao possibilitar que mais pessoas, de mais lugares do país, tenham acesso a esse modal de transporte, estamos garantindo também um incremento no turismo. O avanço nesses temas levará a criação de novas rotas e o incremento na malha aérea, garantindo que os destinos, do ponto de vista econômico e turístico, se beneficiem disso, com mais ofertas de voos e passagens com preços mais acessíveis ainda.

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