Os turistas e o verão em Santa Catarina

Por: Nilton Pacheco | Data: 16/02/2016 13:33:00

Não faltam indícios a cada temporada de que os problemas de trânsito, decorrentes da presença de milhões de visitantes em Santa Catarina, só tendem a aumentar. No caso deste verão, o caos de nossas estradas tomou proporções de caos diante do número recorde de turistas. O que vemos são rodovias entupidas de automóveis e pouco ou nada realizado para ao menos amenizar a insegurança aos que nelas trafegam, principalmente nas próximas ao litoral. Logo após o Réveillon houve relatos de motoristas que demoraram 12 horas entre Florianópolis e Curitiba e quatro horas entre a Capital e Balneário Camboriú.

Como representante de uma entidade que congrega empresas de turismo e fretamento, pergunto: Como dar segurança aos nossos profissionais e seus passageiros, se ficam submetidos a este suplício? Leis para descanso periódico dos profissionais existem, mas tornam-se inócuas diante deste gargalo. Tristes imagens aéreas revelam os funis que se tornam as praças de pedágio, isso para não comentar os acidentes com vítimas fatais - estes, sim, as maiores tragédias. Com fiscalização rigorosa, os ‘apressadinhos’(para não usar termo pior) que trafegam pelos acostamentos seriam banidos imediatamente. Por mais descabida que possa ser a ideia, por que não usar esses corredores para o escoamento de veículos com passageiros? Este subterfúgio é utilizado em cidades como Palhoça e Biguaçu com relativo sucesso. Obviamente, até que soluções definitivas sejam alcançadas.

O transporte coletivo é uma das principais armas para coibir este quadro – cada ônibus tira 21 carros das estradas – e nosso setor é frequentemente preterido, tanto pelo governo federal quanto pelo estadual, em favor dos automóveis. Um contrassenso diante de países mais desenvolvidos. No dia a dia de médias e grandes cidades mais planejadas, o traslado por fretamento é realizado com sucesso, contribuindo para desafogar as vias de rodagem. Por que não incentivar o transporte coletivo para o turismo em nosso litoral? Não, é preferível taxar cada vez mais os serviços para colocar Santa Catarina no topo de um pódio nada invejável – o do quilômetro rodado mais caro do país.

Achamos essencial a vinda dos turistas e seu impacto positivo na economia. Porém, estamos aquém de proporcionar a eles uma chegada e saída tranquila dos seus destinos. Que as mortes e transtornos não sirvam meramente para as estatísticas. É hora de agir! O setor de transporte turístico tem boas soluções e está disposto a oferecê-las.

 

*Nilton Silva Pacheco – presidente da Associação das Empresas de Transporte Turístico e Fretamento de Santa Catarina (Aettusc).

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