Um plano de metas impossíveis

Por: Rafael Freitag | Data: 17/04/2018 10:28:00

Mesmo um entusiasta do Turismo é levado a questionar as metas estabelecidas na última versão do Plano Nacional de Turismo (PNT), o recém lançado PNT 2018-2022 traz quatro metas audaciosas para o desenvolvimento deste complexo fenômeno no Brasil.

Recheado de belas imagens, o PNT apresenta como primeira meta o aumento de 6,5 mi para 12 milhões de turistas estrangeiros ao ano, um crescimento de 84,6% em quatro anos. A segunda meta prevê a ampliação de 6,5 bi para 19 bilhões de dólares o ingresso de divisas com o turismo internacional, um crescimento de quase 200% em quatro anos. Já a terceira meta pretende passar de 60 mi para 100 milhões de turistas nacionais por ano, um crescimento de 65 % no fluxo de turistas nacionais em quatro anos. E por último, a quarta meta pretende ampliar de 7 mi para 9 milhões o número de empregos gerados no Turismo nacional, um crescimento de quase 30% no número de postos de trabalho em quatro anos.

Porém, na primeira parte do PNT 2018-2022, constituída pelo diagnóstico setorial, é possível observar que as projeções econômicas, movimentações de turistas, e os demais indicadores não embasam o estabelecimento das metas que estão na segunda parte do Plano.

Para ilustrar o distanciamento entre o diagnóstico e as metas, apresentamos os cinco principais indicadores do diagnóstico do PNT 2018-2022:

1° Considerando as Perspectivas Econômicas Globais, elaboradas pelo Banco Mundial (2018). A economia nacional aponta uma taxa de crescimento em torno dos 2,3% ao ano, já a economia mundial apresenta uma projeção de crescimento em torno de 3,1% ao ano para os próximos 03 anos;

2° Considerando o limitado crescimento histórico na chegada de turistas internacionais, como por exemplo, o ano de 2015 o número de turistas alcançou os 6,3 milhões, já no ano de 2016 o número passou para 6,5 milhões de turistas e em 2017 apenas um crescimento de 100 mil turistas, atingindo os 6,6 milhões de turistas internacionais no Brasil;

3° Considerando a queda de 60% desde o ano de 2013, nos investimentos através de Recursos do Orçamento Geral da União, passando de 1,8 bilhão para 600 milhões em 2017;

4° Considerando ainda a queda de 30% no número de eventos internacionais realizados no Brasil desde o ano de 2013;

5° E considerando a permanência dos principais fatores limitantes, que colocam o Brasil em uma posição intermediária no ranking de competitividade do Fórum mundial Econômico. Fatores como o Ambiente de negócios, na 129ª colocação, a Infraestrutura terrestre e portuária na 112ª, a Priorização do setor em 106ª e a Segurança amargam a 106ª colocação e não apresentam indicativos de melhorias num cenário próximo, dificultando a tarefa do Brasil avançar da 27° posição.

Estes cinco pontos corroboram para a fragilidade das Metas estabelecidas pelo Mtur no PNT 2018-2022. Assim, ficam algumas questões em aberto, pois, infelizmente o Plano não apresenta como o número de turistas internacionais irá crescer 21% ao ano? Também não detalha como ocorrerá o crescimento de 17% ao ano do turismo nacional? Não indica o caminho do crescimento de quase 50% ao ano na receita do turismo internacional. Nem como enfrentará o desafio de criar 2 milhões de empregos, diante de 13% da população ativa desempregada.  Por estas e outras, mesmo um entusiasta do Turismo tende à perplexidade com a falta de rigor e embasamento técnico na elaboração do Plano Nacional do Turismo.

 

Rafael Freitag é turismólogo e mestre em Turismo e Hotelaria, com 20 anos de experiência na turismologia.    

 

 

 

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