Luciano Vieira fala sobre o projeto que pretende estimular o turismo no centro de Florianópolis

Por: Redação | Data: 14/08/2017 14:07:00

Luciano Vieira, gerente comercial do hotel Faial Prime. (Foto: Imagem & Arte)

 

Durante o 30º Encontro Catarinense de Hoteleiros e a Exprotel, um grupo de hoteleiros de Florianópolis lançou um projeto para estimular o turismo no centro histórico, durante as quatro estações do ano. Uma iniciativa para lá de louvável, tanto quanto inédita se levar em conta de onde virãos os recursos para bancar a iniciativa. Para falar desse projeto, TradeTur ouviu um dos coordenadores do “Floripa Tem Centro nas Quatro Estações”, Luciano Vieira, gerente comercial do Faial Prime Suítes.

 

TradeTur – Luciano, no que consiste o projeto “Floripa tem Centro nas Quatro Estações”?

Luciano – O intuito do projeto é fomentar atividades socioculturais e o resgate histórico no centro de Florianópolis. Além disso, a idéia é mostrar para o turista que Florianópolis não é só praia, ela é turismo o ano inteiro, e tem opções de turismo e lazer de qualidade ao longo do ano.

 

TT – Mas, essa não é uma obrigação do poder público?

Luciano – A gente não quer ficar esperando e dependendo da iniciativa pública. Como a gente sabe, os momentos que estamos vivendo hoje, do ponto de vista político e público, falta receita para implementar e realizar projetos por parte da Prefeitura. A nossa missão é buscar soluções.

 

TT – Como foi que esse projeto começou a ser pensado pelo grupo de hoteleiros?

Luciano – Começamos a pensar o projeto há dois meses, através do CompSet, um acordo entre os hotéis e que visa o compartilhamento de informações sobre o mercado. E nas reuniões periódicas desse grupo, cada vez mais foi exposta a necessidade de se fazer algo porque a iniciativa pública estava deixando a desejar.

 

TT – A entidade deverá promover atividades culturais, é isso?

Luciano – Isso. Não chegamos a ser ainda uma entidade. Somos um grupo de hoteleiros representando hotéis das mais variadas bandeiras e também os independentes que se uniram para montar e lançar esse projeto para que, em conjunto com a iniciativa pública, possamos viabilizar essas ações.

 

TT – Certamente esse projeto deverá envolver atividades que já existem no centro?

Luciano – Exatamente. Lançado o projeto, em paralelo, estamos entrando em contato com todas as entidades do segmento de restaurantes, atividades do trade turístico e identificando, mapeando todos os projetos que essas entidades e grupos estão realizando. O intuito é aglomeramos esses projetos e darmos a eles uma direção para que se tenha mais consistência nas atividades que estão tentando fomentar. E vamos usar dos parceiros que temos, das agencias de receptivo, de turismo da experiência, grupos de resgate histórico e cultural para a gente criar atividades abertas ao público no centro da cidade. Pretendemos levar o turista para o centro, trazer mais vida para o centro da cidade.

 

TT – O centro histórico está pronto para o turismo?

Luciano – O centro histórico é um excelente espaço. Historicamente falando ela (cidade) é linda e maravilhosa, só que hoje ela está abandonada. Então, o que a gente quer fazer é trazer atividades que consigam estimular a revitalização desses equipamentos, pois assim, o florianopolitanto e o turista ocuparão esses espaços novamente, o que é bom para toda a cidade.

 

TT – Alem das atividades culturais, o centro carece de infraestrutura, acessibilidade, segurança, enfim. O grupo de hoteleiros pretende estimular a Prefeitura a olhar com mais carinho para esses equipamentos?

Luciano – Exato. A partir do uso desses espaços pelas diversas atividades, pretendemos estimular a recuperação dessa área. O que temos hoje é um quadro diferente, com andarilhos ocupando os espaços como moradia, e o que pedimos à Prefeitura é que nos dê esse suporte, que consiga disponibilizar a segurança, melhorar a coleta de lixo, enfim, garantir a re-ocupação desse espaço.

 

TT – A crise econômica afetou o segmento dos eventos corporativos. Temos menos eventos ocorrendo na cidade. Como isso impacta a hotelaria? Esse impacto influenciou na elaboração desse projeto?

Luciano - Impacta diretamente na receita, não só dos hoteleiros mas na receita da cidade como um todo, porque a hotelaria e o turismo geram uma receita colateral que ainda nem foi mensurada pela cidade de Florianópolis. O que se tem na verdade é uma idéia equivocada, pois nas planilhas da Prefeitura aparece lá o comércio, os serviços, construção civil e em quarto lugar o turismo. Então, nós sabemos que isso não é assim. O turismo gera muita receita colateral. Parte da receita do comércio e dos serviços também vem do turismo em função do hóspede que está na cidade. Se nós fizermos um mapeamento do impacto do turismo para a economia da cidade, veremos como é importante.

 

TT – Como tem se comportado o movimento na hotelaria do centro?

Luciano – Da segunda quinzena de dezembro até o inicio de março é o período de auge na ocupação hoteleira em toda a cidade. Os hotéis de centro não sentem tanto os efeitos da sazonalidade como os hotéis de praias. Temos essas duas vertentes, trabalhamos com turista de lazer na alta temporada e, ao longo do ano, com o turista do segmento corportativo, de eventos. Atualmente, estamos com 60% em média na taxa de ocupação no centro. O período complicado para os hotéis da região vai de junho a agosto. Por essa razão é que apostamos no projeto, pois o centro tem muitas atrações e potencial.

 

TT – Quais os principais interlocutores do grupo para viabilizar esse projeto?

Luciano – Nós já formalizamos uma solicitação de agenda com o atual superintendente de Turismo da cidade, o Vinícius De Lucca, um entusiasta do turismo. Ele nao só apóia o movimento como tem dado muitas dicas e caminhos para que possamos buscar os recursos para viabilizar o projeto. Nós sabemos das limitações orçamentárias da Prefeitura. Dos 90 milhões de reais que a Secretaria de Turismo tem para investir nos quatro anos do governo, cerca de 95% já estão comprometidos. Então, resumindo, a Secretaria não tem recursos para fomentar o turismo, vamos ter que tirar de outro lugar. O que esperamos da Prefeitura é que ela nos abra as portas para uma Emenda legislativa, incentivo ao projeto via renúncia fiscal, segurança nos espaços para as atividades externas abertas ao público, essas coisas.

 

TT – Então, de onde virão os recursos para viabilizar o projeto?

Luciano – Da própria hotelaria. Os recursos virão da iniciativa privada. É um momento único. Nunca aconteceu isso na cidade. Hoje, eu vivo um momento muito especial na hotelaria, com uma mudança no papel do hoteleiro ao saber que tem que investir na cidade.