Vinícius De Lucca e suas idéias para a nova SETUR de Florianópolis

Por: Redação | Data: 26/01/2017 11:06:00

Vinícius De Lucca é natural de Criciúma, tem 39 anos e está radicado em Florianópolis desde 1985. Sua trajetória no turismo começou em 1995, ano em que ingressou na primeira turma do curso de Turismo da ASSESC quando estudou a implantação do Convention Bureau, já que trabalhava na PROTUR, Fundação Pró-Turismo de Florianópolis, gênese do Convention.

Graduado, passou a trabalhar com eventos para o Grupo RBS. Vinícius é professor do IFSC desde 2006, onde exerce atualmente a Coordenadoria do Curso Superior de Hotelaria. De lá pra cá, o professor Vini, como é conhecido, já participou da formação de mais de 1.500 turismólogos.

Em 2012, inicia sua atuação no Conselho Estadual de Turismo, do qual faz parte ainda hoje. Convidado pelo prefeito Gean Loureiro (PMDB), assumiu o comando da Secretaria Municipal de Turismo de Florianópolis. Os desafios imediatos com a temporada de verão, o novo formato da Setur e a visão do novo secretário sobre o turismo, você acompanha com exclusividade aqui no Portal Tradetur.

 

TradeTur- Num primeiro momento, representantes do trade turístico viram com reservas a idéia da fusão do turismo com a Ciência e Tecnologia, desenhada pela equipe de transição do atual governo. Como o senhor percebe esse novo olhar? O turismo perde importância?

Vinícius- O conceito não é o de fusão. É uma proposta que prevê a criação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico que abarcará Turismo, Pesca, Maricultura e Agricultura e Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável. Cada uma dessas três áreas se tornará uma superintendência. Sob essa perspectiva, conseguimos diminuir o número de comissionados – e nesse momento de colapso financeiro que temos na Prefeitura, é fundamental para que possamos buscar a sustentabilidade financeira - sobretudo na área meio. Por exemplo, não serão três contadores, apenas um. E isso vale para outras funções, como assessoria jurídica, financeiro, protocolo, entre outras. Além disso, o Prefeito é muito sensível ao setor – e vê a importância estratégica que o turismo tem, sobretudo pela grande possibilidade de desenvolvimento. O Turismo, na estrutura proposta, ganha agilidade – por exemplo, ao invés dos aspectos burocráticos administrativos que todo secretário tem que investir seu tempo, os superintendentes podem ser mais executivos, com foco efetivo em resultados – que é o que toda a sociedade deseja.

 

TradeTur- O otimismo em relação ao fluxo turístico para o Estado e a Capital, estimado por autoridades públicas do setor, não se confirmou no período do Réveillon. O que houve? E quais são as perspectivas para o restante da temporada?

Vinícius- Com exceção de números de voos charters e ônibus fretados, os dados do setor são desagrupados, difíceis de termos mesmo – até porque a maior parte da demanda é via modal rodoviário – especificamente automóveis particulares. As estimativas são feitas pelo lixo, pela água, pelo histórico. Precisamos ter uma política séria na divulgação de dados para não levantar expectativas e depois frustrar o setor (e antes disso, precisamos aperfeiçoar o Observatório de Turismo de Florianópolis, com investimentos em pesquisa, via parcerias com instituições de ensino).

 

TradeTur- E a então chamada Operação Presença? Já houve tempo para tomar pé da situação? O que será feito para evitar os problemas recorrentes como a oferta de água potável e energia, a mobilidade, segurança pública e informação turística de qualidade? 

Vinícius- Acompanhamos alguns problemas pontuais logo nessas duas primeiras semanas. Teremos em janeiro ainda o acompanhamento das atividades de todas as organizações que fazem parte da Operação Presença. De qualquer modo, por determinação do Prefeito, a estrutura da Prefeitura está mais presente, com grandes esforços, sobretudo da COMCAP, da SESP e da Guarda Municipal. Além disso, o contato com órgãos do Estado, como a CASAN, já está bem alinhado.

 

TradeTur- E sobre a questão ambiental no Rio do Brás e que afetou Canasvieiras e a imagem de Florianópolis na temporada passada?

Vinícius- Houve um trabalho importante realizado por alguns órgãos em relação ao Rio do Brás. As últimas análises foram positivas. Aí está uma amostra de que podemos resolver ou amenizar problemas com a pressão de algumas estruturas de governo e da sociedade. A principal questão no Rio do Brás são as residências e estabelecimentos comerciais que ainda não estão na rede de coleta (em paralelo à quantidade baixa de fiscais). Não podemos achar que está resolvido e vamos continuar no esforço contra a poluição.

 

TradeTur- E o carnaval das Escolas de Samba, sai ou não sai? 

Vinícius- A situação financeira da prefeitura é muito grave. Não há condições para repassar o previsto no convênio que a gestão passada assinou em setembro, de R$ 3.6 mi. O que estamos buscando é no Governo do Estado, via Funturismo, no Programa Transferência específico para o Carnaval, mas nem as certidões negativas de débito estamos conseguindo. Estamos buscando viabilizar algumas questões estruturais.

 

TradeTur- O senhor é turismólogo por formação e professor. Portanto, tem acompanhado a produção acadêmica sobre assuntos do interesse do setor para Florianópolis. Na sua visão, quais os principais problemas que afetam a cidade de Florianópolis e impactam a atividade turística? 

Vinícius- A médio prazo, se continuarmos nessa toada, poderemos deixar de ser um destino importante e nos tornarmos um destino em declínio – como já ocorreu em muitas localidades. Temos sérios gargalos: saneamento, mobilidade, segurança e infraestrutura específica, como aeroporto inadequado, ausência de píer turístico, poucas marinas e garagens náuticas.  E além disso tudo, falta uma política de desenvolvimento clara. É urgente que estabeleçamos, via PPP, soluções para diversas questões como as marinas, parques, píeres e transportes alternativos, como o marítimo. Além disso, a insegurança jurídica permeia os negócios no turismo há muito tempo. A cidade não pode mais esperar. Muito se discute e pouco se anda. Precisamos desburocratizar e dar mais agilidade a todas as ações que envolvam o desenvolvimento. Além disso, precisamos melhorar muito em coisas básicas, como espaços de embarque e desembarque de ônibus turísticos, organização da atividade dos guias de turismo, locais para despejo adequado de dejetos de ônibus, informações turísticas, uso da tecnologia no turismo – tanto no planejamento quanto na promoção, buscar implantar o transporte executivo do Aeroporto ao Centro, entre outras ações.  

 

TradeTur- O Conselho Municipal de Turismo será reformulado? Qual o papel do Conselho na visão do secretário?

Vinícius- Queremos que o Conselho continue tendo um papel fundamental na definição das políticas e no aconselhamento ao órgão. Conheço as pessoas que fazem parte das entidades e das demais instituições e confio nelas.

 

TradeTur- Entre os projetos encaminhados pelo prefeito Gean Loureiro para a análise da Câmara de Vereadores está o que prevê a criação da Taxa de Equipamento Turístico (TET). O senhor poderia nos falar sobre o que se trata? Como será feita a cobrança? Qual o valor estipulado e quando será iniciada a cobrança dessa taxa? Em tempo, a criação da TET foi debatida com o trade e o Conselho Municipal de Turismo?

Vinícius - Sobre como será feita a cobrança e sobre qual o valor estipulado, somente poderemos responder após a elaboração de decreto - 120 dias após a criação da Lei. O PL é amplo e o que vai definir na prática as medidas operacionais será o decreto - e para tal o COMTUR e outras entidades serão ouvidas detalhadamente. Na primeira reunião com o Conselho Municipal de Turismo, realizada na semana passada, conversamos com os membros sobre todas as medidas encaminhadas pela Pasta - e de maneira geral sobre todos os projetos encaminhados pelo Executivo. Conversamos com diversos integrantes de entidades do trade para a elaboração do Projeto de Lei. Na atual conjuntura econômico-financeira da Prefeitura, não temos como cuidar, conservar, vigiar, sinalizar e oferecer serviços de qualidade aos munícipes e turistas que utilizam, por exemplo, as unidades de conservação municipais e os centros de antedimento ao turista. São atrativos ou estruturas de apoio que precisam ser mais bem pensadas e gerenciadas. Isso não exclui a possível relação com outro projeto de lei que o Executivo enviou ao Legislativo, de PPPs (me referindo especificamente aos centros de atendimento ao turista, por exemplo) ou a outras estruturas em áreas que a municipalidade não tem condições de investir, mas via PPPs, é possível que se estabeleçam parcerias importantes, não só que desonerem a Prefeitura mas que gerem emprego e renda.